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Notícias

10/06/2008
Um negócio bom para cachorro
Clínica especializada em odontologia animal cresce 35% a cada ano

Se abrir uma empresa, indústria ou serviços em setores considerados usuais para a população dá trabalho ao empreendedor, imagine abrir uma clínica especializa em odontologia veterinária. Pois é! Este serviço existe e foi o desafio da médica veterinária Maria Izabel Ribas Valduga que, em 1996, criou em Curitiba o Odontocão, uma das três clínicas brasileiras (é a segunda, depois de São Paulo) que fazem este tipo de atendimento.

A iniciativa foi da própria Maria Izabel que percebeu em seus trabalhos em universidade nos Estados Unidos e em países da Europa a preocupação com a saúde bucal animal. “Fiquei entusiasmada quando vi pela primeira vez a odontologia veterinária e o que ela representa para a qualidade de vida dos bichos”, disse. Ela é uma das fundadoras da Associação Brasileira de Odontologia Veterinária.

O desejo de estudante se transformou em meta profissional e não foi apenas por impulso. Maria Izabel participou de cursos do Sebrae, elaborou um projeto detalhado, com o apoio dos consultores e buscou financiamento junto ao PROGER para iniciar o empreendimento. “O acompanhamento foi fundamental, pois a inexperiência é a principal companheira num primeiro negócio, e o amparo técnico adequado é primordial para trazer as bases de mercado necessárias”, disse.

O passo seguinte foi criar um nome sugestivo (Odontocão), investimento em propaganda e marketing, criação de um site informativo e muita persistência. “Eu sabia que tinha um mercado totalmente aberto à minha frente. Só precisa informar ao público que ele necessitava dos meus serviços, apesar de ele ainda não saber”, lembra com bom humor. Há 12 anos, quando começou, foram feitos 44 atendimentos em um ano. Hoje, são 50 por mês. Desde o início da clínica já foram feitos 5 mil atendimentos, a maioria em cães e gatos. Mas a lista de pacientes inclui coelhos, hamsters, chinchilas, furões, leões e até uma onça (atendimento feito no fim do ano passado para o zoológico de Sorocaba, em São Paulo).

O Odontocão vem crescendo em média 35% ao ano desde a fundação. Entretanto, apesar do crescimento, estimativas da Fundação Getúlio Vargas indicam que a clínica atingiu até o momento apenas 5% do mercado que existe. “O crescimento é certo. Basta trabalhar com eficiência e continuar investindo em divulgação. Além disso, mantemos o brilho do empreendimento, que é a paixão por nossos pacientes. E essa é a parte mais fácil”, afirma.

Dificuldades – a médica veterinária lembra da dificuldade inicial que as pessoas tinham para entender o trabalho que ela fazia. “Basta colocar uma placa para o público entender a oferta de alguns serviços como pizzaria, locadora, hospital. Mas há alguns anos era insuficiente anunciar Odontocão ou odontologia veterinária”, conta. As pessoas sempre tiveram animal de estimação, mas nunca se preocuparam com a saúde bucal deles. A expressão popular ‘bafo de onça’ não é a toa. Segundo ela, a maioria das pessoas não relacionava o mau hálito em bichos com doenças, e é o que ocorre de forma direta.

Simplesmente não se entendia quando o animal sinalizava que estava com dor na boca. Falar em tratamento preventivo então era um sonho e objetivo da carreira da médica veterinária.

Com perseverança ela se firmou no mercado. No início era comum a cara de espanto ou o riso quando dizia que trabalhava exclusivamente com odontologia para animais. Hoje Maria Izabel é convidada para ministrar palestras em universidades, congressos nacionais e internacionais.

Em 2006 ela lançou uma campanha de conscientização sobre saúde oral para cães e gatos em Curitiba. A aceitação foi tão positiva que acabou gerando uma campanha nacional e os dados levantados servem de base para estudos da área. (ver box) O Odontocão continua sendo pioneiro no Paraná e está entre os poucos centros exclusivos em odontologia veterinária do país. Apesar dos avanços e da preocupação dos donos com a saúde dos animais, a maior dificuldade continua sendo cultural. "Não estamos habituados a levar nossos cães e gatos ao dentista. Eles sofrem com problemas na boca da mesma forma que o homem e, infelizmente, nem sempre entendemos ou percebemos isso”, afirma.

Você já olhou como estão os dentes do seu cachorro ou do seu gato? Provavelmente não. Saiba que 85% destes animais domésticos com mais de três anos apresentam problemas na boca como o tártaro, o maior responsável pelo mau hálito e perda de apetite. Apenas 1,5% dos animais apresentam bocas saudáveis.

Gráfico Odontocão

A falta de higiene bucal pode provocar ainda doenças periodontais (gengiva), cáries, deixar o animal agressivo ou depressivo e, a longo prazo, causar doenças no fígado, rins, coração, intestino, ossos e até câncer.

Para alertar a população sobre a importância da higiene bucal dos animais domésticos, o Centro de Odontologia Veterinária Odontocão coordenou em 2006 uma campanha de incentivo à escovação dental em 20 pet shops de Curitiba durante quatro meses.

O trabalho foi organizado pela médica veterinária Maria Izabel Ribas Valduga e resultou em 7.440 escovações. “O que vimos, gradativamente, foi a transformação de animais apáticos e irritados em alegres e dóceis. A higiene bucal é importante porque melhora a vida destes bichinhos que estão dentro de nossas casas em contato direto com os nossos filhos”, alerta Maria Izabel.

Segundo estimativas do Centro de Zoonoses, da Secretaria Municipal de Saúde, há em Curitiba cerca de 400 mil cães e, destes, 180 mil são de rua ou têm dono mas vivem nas ruas.

Campanha – Para participar da campanha – que virou exemplo para um trabalho nacional, feito nas principais cidades do Brasil - os locais selecionados assinaram contratos de adesão e receberam banners e kits com escovas e pastas de dentes.

Para fazer o levantamento da saúde bucal dos animais, os pet shops ofereceram escovações gratuitas. A cada escovação dental do animal era preenchida uma ficha e colocada em uma urna e, a cada 15 dias, os cupons eram recolhidos para sorteios de avaliações odontológicas no Odontocão.

Ao final da campanha foram premiados os pet shops que mais fizeram escovações dentais e os animais que tiveram o maior número de escovações no período.

As informações levantadas em quatro meses de campanha formaram um banco de dados sobre a saúde bucal de cães e gatos da cidade. “É uma mostra da população de animais domésticos, mas é possível ter um quadro de como anda a saúde deles”, disse Maria Izabel.

O projeto teve o patrocínio da Total Alimentos e Virbac e apoio da ABOV (Associação Brasileira de Odontologia Veterinária, CRMV – PR (Conselho Regional de medicina veterinária) e Granjinha.

Higiene - A escovação diária de cães e gatos pode ser feita com escovas especiais (com cabos mais longos), mas também com escovas humanas com cabeças pequenas. Para as primeiras escovações ou para animais de pequeno porte, o ideal é usar dedeiras, feitas em material flexível e macio.

Mas o detalhe da escovação fica por conta das pasta dentais que têm sabores de acordo com o gosto do freguês. Os cães preferem as pastas com sabor de carne, frango ou caramelo. Já os gatos lambem os bigodes com o sabor frutos do mar. “São pastas especiais que não fazem espuma porque os animais não sabem cuspir”, explica Maria Izabel. Essas pastas, ao contrário das humanas, têm baixo teor de flúor para não provocar gastrite.

Para acostumar o animal, o dono ou veterinário deve colocar um pouco de pasta no dedo e deixar que o animal cheire e lamba. Só depois se deve iniciar a escovação. Há cães que esperam a escovação assim como esperam a hora de comer.

Cães e gatos dificilmente têm cáries. Quando isso ocorre é porque estão comendo a mesma comida que o dono, rica em açúcar. Ração seca, biscoito especiais e tiras de couro ajudam a limpar o acúmulo de comida e evitam o aparecimento do tártaro.

Conseqüências da falta de escovação

• mau hálito
• sangramento, inflação, pus na gengiva
• dentes frouxos ou falta de dentes
• dor ao abrir a mandíbula
• perda do apetite
• esfregar o focinho no chão ou coçá-lo com a pata
• aparecimento de tumores
• persistência da dentição de leite
• dentes fraturados
• salivação excessiva
• apatia
• agressividade


Matéria publicada na revista Opet&Mercado do primeiro semestre de 2008.

Clique aqui e e veja a matéria na revista.



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